CREU! AÍ NÃO
* Ivandilson Miranda Silva
Parece que a avalanche de produções, composições e espetáculos que expõe o gênero feminino ao ridículo não tem fim. Os grupos, bandas do momento desaparecem, mas sempre acaba surgindo uma novidade.
A tal novidade é a música CREU, primeiro lugar em várias paradas musicais das rádios brasileiras. Lembram-se, já tivemos atoladinha, as preparadas, popozudas, a quebra barraco, a metralhada, enfermeira do funk, canhão, problemática e agora é creu,creu, creu.
A música é uma espécie de manual (quase que didático) do aumento da intensidade dos movimentos no ato da relação sexual, a proposta é ir intensificando os movimentos e creu, creu, creu, não há ambigüidades.
Não quero ser conservador, mas é pertinente perguntar: onde vamos parar? qual o próximo “sucesso” depois do creu? todos devem ter o direito de dizer e cantar o que quer? por que as músicas dos Paralamas do Sucesso, de Gabriel O Pensador, Marcelo D2 foram censuradas já nesta conjuntura de Estado pós-ditadura militar? Por que existe censura para uns e não para outros? Por que é proibido cantar “tô feliz, matei o presidente” ou “são 300 picaretas com anel de doutor” e é permitido cantar creu, creu, creu?
Bem, creu e as atoladinhas, metralhadas e canhão, estão no campo do erotismo banalizado, do machismo e do preconceito contra as mulheres e da construção da imagem utilitarista do feminino, essas questões não interessam, pois os centros de poder (mídia, Estado, capital) não são ameaçados, são beneficiados e vendem muito.
Cantar canhão pode! Deputados picaretas não pode! Ofende o parlamento, as autoridades, questiona o poder, parece V. de Vingança (assistam o filme), tudo muito contraditório.
Com todo esse processo, estamos contribuindo para anular a memória do povo brasileiro, negar a história, destruir identidades e gêneros. O tempo do vazio necessita de espetáculos efêmeros e da novidade sem conteúdo. É a reedição do pão e circo romano.
Para terminar esse texto sem um grande desânimo e angústia, vale lembrar que a música do carnaval 2007 em Salvador foi “TODA BOA”, uma espécie de retratação? mudança de rumo? um beija-flor apagando incêndio? o mercado fonográfico tentando fazer média? Pensem, reflitam,discutam, questionem...
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* Compositor e músico da Banda Periferia, Professor de Filosofia e Sociologia, Coordenador da Associação Educacional, Cultural e Ambiental Comunidade Universitária.
quarta-feira, 19 de março de 2008
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